domingo, 21 de fevereiro de 2010

A religião

A religião, essa sublime epopéia do coração humano, tem um símbolo para cada sentimento, uma imagem para todos os acidentes da nossa existência.

É ao pé do altar que o homem vê abrir-se para ele uma fonte de todas as as supremas venturas deste mundo -  família; e quando o sopro da desgraça vai desflorando uma a uma as flores da vida, é ainda ao pé do altar que achamos o consolo para as grandes dores, a esperança nos maiores infortúnios.

É que nesta brava romaria que fazemos pelo mundo, a religião nos acompanha como esses guias mudos do deserto, apontando-nos umas vezes o nada de onde partimos, outras a eternidade para onde caminhamos, e mostrando-nos a espaços com um aceno a linha negra que prognostica o simoun, ou os rastos dos animais que anunciam o oásis no meio das vastas sáfaras de areia.

Quantas vezes no seio das alegrias e dos prazeres, quando nossos olhos vêem tudo cor-de-rosa, quando o ar que respiramos parece vir perfumado dos bafejos da ventura, não sentimos de chofre o coração apertar-se como tomado por um doloroso pressentimento, e a alma constranger-se numa angústia pungente?

O deslumbramento passa rápido como o pensamento que o produziu. Mas dir-se-ia que o coração, comprimindo-se, como que vertera na taça do prazer uma gota de fel, e que entre o rumor da festa e os sons alegres da música, viera ferir-nos os ouvidos com um eco surdo das lamentações de Jó.

Também às vezes a fortuna nos embala docentemente, e ambição nos empresta suas asas de ouro, ao passo que a glória envolve-nos com a sua auréola brilhante. Então o homem caminha com os olhos fitos na sua estrela, e com a cabeça alta passa sem perceber as misérias do mundo.

Mas lá vem um dia, uma honra, um instante em que o corpo verga como o peso de tanta grandeza e a cabeça acurva-se para a terra. Os olhos que mediam o espaço vacilam; a vista que se dilatava pelos horizontes e ousava sondar os arcanos do futuro quebra-se ao encontro a uma lousa, a um fosso, onde a pá do coveiro traçou um estreito quadrado e com um pouco de terra revolvida o emblema ao som de uma sentença do Eclesiástico.

Se, porém, a religião é severa nos seus conselhos, e durante os dias de paz e de ventura fortifica o homem por meio da tristeza, na dor ao contrário, é de uma bondade infalível.

Nem uma fibra palpita no corpo humano, nem uma pulsação abala o coração, nem um soluço arqueja num peito quebrado pelo sofrimento, que não ache nela um eco, uma voz que lhe responda.

Neste grande livro da fé e da esperança, neste sublime diálogo entre Deus e o homem, todas as lágrimas têm uma palavra, todos os gemidos têm uma frase, todas as dores uma prece, todos os infortúnios uma história.

A vida humana se resume na religião; nela se acha a essência de todos os grandes sentimentos do homem e de todas as grandes coisas do mundo.

Tem a severidade e o respeito que inspira a paternidade e ao mesmo tempo todos os zelos da maternidade. Aconselha como um pai quando fala pelos lábios de um sacerdote; é a mãe que se multiplica para seus filhos, quando abriga no seu seio todos os infelizes.

Mas, quando se folheia este livro da vida, e que se chega à última página - à morte - quando a alma, em face do nada sente-se tomada desta grande e assombrosa ameaça do completo aniquilamento, é que se sente quanto há de consolador na religião.


(José de Alencar - Ao correr da Pena, pág. 82 - 85)



Texto longo, não?! Concordo! Mas por trás das poéticas palavras do escritor José de Alencar, no texto acima, está uma reflexão de que só buscamos Deus nos momentos de aflição.

Ou você, sequer, lembra da existência Dele quando se está muito feliz, com fartura, com dinheiro no bolso, com a família cheia de saúde? Por acaso lembra de agradecer pelas boas coisas que recebe do Criador?

Todos nós somos assim! Aí... quando a morte, a desgraça, e até mesmo a famosa "fatalidade" acontece... é Deus quem tem que limpar as nossas lágrimas e resolver nossos problemas... quando na verdade, Ele está presente na nossa vida em todos os momentos, sejam eles bons ou ruins.


É um assunto para se pensar com carinho e seriedade... 

Bom domingo!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Esperando o homem perfeito




Afinidade


Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois. A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. E o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades. Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar. Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras, é receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Não é sentir nem sentir contra... Nem sentir para... Nem sentir por... Nem sentir pelo... Afinidade é sentir com.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e perceber... É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram, foram apenas oportunidades dadas pela vida.
(Artur da Távola)

Este texto eu vi em http://noauge4ponto0.blogspot.com


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

A arte de chorar

A arte de chorar, a propósito é a primeira das artes, assim como as lágrimas são a única língua universal que existe na terra, e que provavelmente foi falada antes da Torre de Babel.

Quereis a prova?

Abri a boca e chorai... todo mundo entenderá que tendes fome.

Chorai e bebei as lágrimas; e logo se conhecerá que estais morrendo de sede.

Levai a mão ao coração e chorai olhando uma mulher; e ela compreenderás que a amais.

Erguei ao céu os olhos rasos de prantos, juntai as as mãos; e ninguém deixará de entender a prece muda de uma alma infeliz.

Voltai as algibeiras e deixai correr algumas lágrimas; e logo verás que não tendes dinheiro nem crédito.

Uma lágrima isolada, que prende da pálpebra, e corre lentamente por um rosto pálido e triste, exprime uma dor silenciosa e concentrada; é como uma gota de fel que verte do coração

Duas lágrimas límpidas que empanam às vezes o brilho dos olhos, e se desfilam docentemente pelas faces, dizem uma saudade, uma suave recordação.

O pranto e os soluços são a expressão do desespero, assim como uns olhos rasos de lágrimas e um sorriso revelam o momento da suprema felicidade deste mundo.

E entretanto, apesar do poder irresistível desta linguagem universal, todo mundo trata de rir, e ninguém sabe chorar. As lágrimas vão caindo em desuso; e apenas nas despedidas e nos enterros ainda se usa, bem que raras vezes, deste meio persuasivo.

(José de Alencar)



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A pós-mulher






Esse negócio de dizer minha ex-mulher, ou a ex-mulher do fulano, acabou. Agora se diz minha pós-mulher. A invenção não é minha, muito menos as mulheres. Quemme soprou a inovação foi uma bela mulher de 52 anos, algumas vezes pós e que hoje, pasme!, dá aula para homens sobre o que é uma pós-mulher.

Claro que o surgimento da pós-mulher não elimina as ex-mulheres. Portanto nem todas as ex-mulheres tornam-se, automaticamente, pós-mulheres. Sim, porque tem ex-mulher que nasceu para ser ex-mulher o resto da vida. São aquelas que se dedicam a infernizar a vida do ex, a quem chamam – sempre! – de falecido. Muito embora o falecido seja obrigado a depositar uma grana viva todo mês para que ela se conserve na posição de ex.

Já a pós-mulher descobriu que ser ex a nivela a times de futebol e agências de publicidade. Fulana, ex-DPZ, ex-Salles, ex-W, ex-Julio Ribeiro, ex- Alcântara Machado. Já a pós, pode se orgulhar de ser uma pós-Ricardão.

O ex que a mulher carrega, a prende eternamente ao “falecido”. É como se ela vivesse grudada umbilicalmente a ele. Já a pós, dá a nítida impressão que já passou pelo sujeito. Que ela avançou na vida, que é, digamos, pós-graduada em homem. Um pós-mulher entende de homens como ninguém. Uma ex-mulher será definitivamente uma ex, dando a impressão que ela é quem foi a abandonada.

A ex-mulher leva embora a impressão de ter ficado apenas com as partes ruins do ex. Como se ela não tivesse aproveitado nada da convivência de alguns anos. A pós-mulher sai de cabeça erguida, ciente de ter sugado tudo do antigo amor e estar preparada para outras aventuras e vidas e amores.

A pós-mulher é independente, é claro. Ao contrário da ex que não consegue passar um dia sem imaginar maldades pra o coitado.

A pós se orgulha de ser pós. Mesmo que o marido tenha sido um fracasso com ela, ela pode se dizer é hoje ela é pós-ele, ou seja, superior, liberta. E, se o cara for legal, mais sentido ainda faz ser pós-dele. Aliás, as grandes pós-mulheres se orgulham de suas condições.

E tem mais: uma pós honesta e esperta é pós apenas uma vez na vida. Torna-se doutora, phd em homem, senhora de si e orgulho para os filhos.

Vou dar um exemplo de uma pós-mulher. A prefeita de São Paulo. Ela não é ex-mulher do Eduardo. Ela é pós-Eduardo. Cresceu com ele, aprendeu com ele e deve se orgulhar de ser pós-mulher dele. Já a Nicéia é ex-mulher do Pitta. Entendeu a diferença gritante entre uma ex e uma pós?

E eu, modesto, não tenho nenhuma ex. Tenho duas maravilhosas pós-mulheres.

E você, é ex ou pós?

Não se esqueça que a pós-mulher está acima de qualquer intriga com o antigo marido, costuma resolver problemas para ele e será para sempre não uma ex, mas uma eterna companheira. Uma mulher do pós-futuro.


Mário Prata - Revista época 24/04/2004.



Ah, as Mulheres de Vinte

Ah, as mulheres de vinte anos! Entre vinte e trinta. É o que há de melhor em mulheres no Brasil. E antes de ser tachado de velho tarado, aviso: não estou falando do corpo. É a cabeça menos preocupada em se tornar linda fisicamente. São lindas, simplesmente são. Desde a geração da minha bisavó (nascida no final do século 19) eu não vejo mulheres brasileiras tão autênticas. Tão elas. São elas, entre 20 e 30.

Eu acho que eu vou arriscar um palpite. Elas são filhas do que já houve de mais doido e revolucionário no Brasil. São filhas de ex-hippies, ex-líderes políticos estudantis ou de outras minorias, filhas de pai que já fumaram (e a maioria tragou), filhas de quem viu o homem subir no espaço e dizer que a terra é azul, e especialmente, filhas de feministas quase ortodoxas.Enfim, filhas de uma geração que lutou para abrir as portas.

Os seus pais, por serem iniciantes (além de muito jovens) em suas rebeldias, foram extremamente radicais. Me lembro de uma amiga feminista que não admitia que um homem segurasse no seu cotovelo para ajudar a atravessar a rua. Mas as mulheres de vinte não são feministas, são fêmeas. Ponto.

E as mulheres, que hoje têm entre 20 e trinta anos, souberam amenizar todo aquele nosso radicalismo. Parece simples, mas já nasceram com a sabedoria e a revolução que seus pais fizeram. Alguns, até morrendo.

Tudo isso além, é claro, daquela tatuagem que entra para dentro do biquíni, só para a gente ficar imaginando o que é aquilo e onde vai dar. Além, é claro, daquela orelha cheia de brilhantezinhos. Além, é claro, daquela que quem sabe que é. Além, sobretudo, do tom que vai do cor-de-rosa ou jambo verde-amarelo.

Antes mesmo de começar a escrever sobre você, que tem entre 20 e 30 anos, recebi um e-mail de uma de 22, jornalista e emancipada:

"Meu querido, mulher de 20 e poucos anos, não fica rindo quando fuma um baseado, não. Fica assim, louca para ficar, para experimentar todas as sensações, que por ter 20 e poucos anos, ela ainda não conhece. E não há nada mais excitante que a curiosidade - principal qualidade da mulher de 20. E com 20 anos essa curiosidade vai livre de medos e receios, pronta para usar e aguçar.

Mas o melhor de tudo é que com 20 anos você acredita que a vida é simples; que nós vivemos do que acreditamos; amamos tudo e todos, queremos dar e receber muito amor; conhecer gente, trocar energias, pegar um pouquinho de cada pessoa que passa pela nossa vida, desejar apenas fazer o bem, ser uma pessoa boa. Papinho bicho grilo este, né? Pode ser, mas tão mais saudável do que pensar na barriguinha que está crescendo, no botox que é caro, no cabelo que precisa de escova, no medo de envelhecer, etc"...

Ah, as mulheres de vinte... Abreviam tudo!

A maioria delas já é mãe. São mulheres que convivem com a filha, mãe e avó. Algumas até com bisavó. Apenas elas podem tirar proveito de viver um século inteiro sem sair de si mesmas. Aprendeu com a avó, com a mãe e agora se assusta com a própria filha. Que não a chama de senhora, onde já se viu? E a enfrenta na frente "das visitas".

Demorou um século para surgirem as mulheres de vinte. E nos puseram e nossos lugares. Admiradores, fãs e, porque não dizer, pai de uma delas que me ensina, diariamente, que viver não é tão complicado assim. Basta ter vinte anos. Sempre. Mesmo tendo acabado de fazer 58!


Mário Prata - Revista Época 27/02/2004



domingo, 31 de janeiro de 2010

Dia 30 de Janeiro - Dia da Saudade

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Saudade... Quem disse que nunca sentiu saudade de alguém é porque nunca amou, nunca viveu. Saudade é chata... faz doer, faz chorar, mas faz recordar de alguém que já se foi e que deixou dentro de nós um pedacinho do seu coração.

A gente sente saudade da família, dos irmãos que a gente não vê a muito tempo, dos parentes que moram distantes de nós e que não os vemos há tempos. Sentimos saudades da pessoas que se foram, foram para longe de nós por apenas um tempo ou para sempre.

A gente sente saudade dos amigos de infância, aqueles com os quais dividíamos a maior parte do tempo, com os quais brincávamos até tarde, quando a mãe tinha de nos buscar para tomar banho. Amigos de escola... aqueles que eram nossa segunda família pois era ali que passávamos a maior parte do dia... amigos de grupos de trabalhos, de bagunças, de notas boas ou ruins... Amigos de outra sala... amigos dos nossos amigos que, pela convivência acabam virando nossos amigos também.

Amigos de faculdade... esses são inesquecíveis!! (pelo menos para mim). São para se recordar uma vida inteira, pois quatro, ou até mesmo cinco anos de convivência, trabalhos, seminários, monografias, bares e conversas... muito estudo claro, mas muito companheirismo... que saudade amigos!!

A gente sente saudade da comida da mãe, das broncas do pai, das brigas com os irmãos, das conversas íntimas com os avós, dos conselhos das família... a gente sente saudade do primeiro amor, do  frio na barriga que este nos fazia sentir, das descobertas, do primeiro beijo... sentimos saudades do primeiro emprego, aquele que foi duro para conseguir e que "ralamos", "damos o sangue" para ficar e conseguir mais experiência.

Mas o que mais dói é a saudade de um grande amor quando este está longe de nossos olhos, ou até mesmo perto dos nossos olhos, mas longe do nosso coração. Essa sim é a saudade que machuca, que faz chorar...

Saudade é bom... atiça o amor que estava guardado dentro do nosso coração. E faz reacender o amor depois do tão sonhado reencontro, quando possível.


Saudade, saudade... que não deixa o sentimento morrer...





sábado, 30 de janeiro de 2010

117 maneiras de um amor acabar

Existem 117 maneiras de um amor acabar, sendo 14 delas de algum modo ligado ao tédio, 12 a fatores metafísico (como a conversão de um dos dois a uma religião oriental enquanto o outro não apenas continua cético como faz pouco do seu corte de cabelo), 27 a fatores físicos (pele oleosa, etc) e 30 à interferência de terceiros e / ou familiares, o que dá 83. Sobram as 34 maneiras de o amor acabar que entram na categoria de Diversos. Por exemplo:

Heitor acorda de madrugada e dá fala de Ana na cama. Vai ver e ela está no computador.

- Ana, você sabe que horas são?

- Sei, cinco da tarde.

- Não, cinco da madrugada.

- Cinco da tarde em Okinawa. É a melhor hora para falar com pap.arroba.pac.mic.aá.agá.pê.tse.

- Quem?!

- O Tetsuo. Sabe que a iniciação sexual dele foi com um "cucumber"?

- O que é isso?

- Pois é, eu não sei.

- Vocês estão trocando confidências sexuais pela internet?

- Não, dados bibliográficos. Sexo com um "cucumber", seja lá o que for é um dado bibliográfico.

Ela acessa o dicionário de inglês do computador, murmurando:

- "Cucumber", "cucumber"...

- Ô Ana, você fica aí na frente dessa tela assim... Pelo menos se vista.

- Que bobagem... Heitor, você sabia que "cucukold" em inglês, é marido enganado?

- Ana, ou você desliga o computador ou...

- Pepino!

- O quê?

- "Cucumber" é pepino. Estranho... Sexo com um pepino?

Ela começa a escrever para o Tsetsuo, falando enquanto digita: "How... you... make... sex... with... cucumber..."

Heitor se aproxima. Não sabe o que é. Talvez o reflexo da tela iluminada do computador na pele branca de Ana, talvez a própria idéia do "cucumber"... Ele acaricia o seio da mulher.

- Vem pra cama, vem. Larga esse negócio e vem pra cama com o seu...

Ana o afasta com um cotovelaço, sem tirar os olhos da tela.

- Heitor, como você é... Como você é...

- Como eu sou o quê?

- Pré-eletrônico!

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Outro exemplo. Com as perspectivas da promoção e do aumento prometidos, Danilo e Suzana trocaram de apartamento. Vão para outra vizinhança, com outro nível. Mas, no primeiro dia no novo apartamento, Suzana saiu correndo do quarto, com robe de chambre, e anuncia:

- Tem um homem me espiando!

De uma janela de um dos prédios vizinhos, um homem olha para o apartamento deles, de binóculo. Danilo vai para a janela, furioso. - "Tarado! Doente!" - e dá vários socos na palma da mão, mostrando o que faria se pagasse o sem-vergonha. Depois olha melhor e quase pula para trás.

- Meu Deus!

- O que foi?

- É o Almeida! O meu chefe! Eu não sabia que ele morava aqui!

- E agora!

Danilo abana para o homem, amistosamente. Faz um gesto querendo dizer que retira os socos. Transfere os socos para seu próprio queixo, querendo dizer que é um idiota que merece apanhar. Pensa em procurar o número do Almeida no guia para lhe telefonar e pedir desculpas até se lembrar que eles ainda não têm telefone. Vai buscar uma lanterna e transmite uma mensagem em código Morse, na esperança de que o Almeida também seja ex-escoteiro. "Desculpe. Lamentável engano." E depois de pensar um pouco: "Eu te amo."

E a todas essas o Almeida na janela, olhando através do binóculo, sem se mexer.

O amor de Suzana acaba quando Danilo a puxa para frente da janela, afasta a frente do seu robe e diz:

- Abre um pouquinho aqui pro Almeida ver melhor...



(Luiz Fernando Veríssimo - Livro Comédias Brasileiras de Verão)



Amor é prosa, sexo é poesia

Sábado, fui andar na praia em busca de inspiração para meu artigo de jornal. Encontro duas amigas no calçadão do Leblon:



- Teu artigo sobre amor deu o maior auê... – me diz uma delas.




- Aquele das mulheres raspadinhas também... Aliás, que você tem contra as mulheres que barbeiam as partes? – questiona a outra.




- Nada... – respondo. – Acho lindo, mas não consigo deixar de ver ali nas partes dessas moças um bigodinho sexy... não consigo evitar... Penso no bigodinho do Hitler, do Sarney... Lembram um sarneyzinho vertical nas modelos nuas... Por isso, acho que vou escrever ainda sobre sexo...




Uma delas (solteira e lírica) me diz:




- Sexo e amor são a mesma coisa...




A outra (casada e prática) retruca:




- Não são a mesma coisa não...




Sim, não, sim, não, nasceu a doce polêmica ali à beira-mar. Continuei meu cooper e deixei as duas lindas discutindo e bebendo água-de-coco. E resolvi escrever sobre essa antiga dualidade: sexo e amor. Comecei perguntando a amigos e amigas. Ninguém sabe direito. As duas categorias trepam, tendendo ou para a hipocrisia ou para o cinismo; ninguém sabe onde a galinha e onde o ovo. Percebo que os mais “sutis” defendem o amor, como algo “superior”. Para os mais práticos, sexo é a única coisa concreta. Assim sendo, meto aqui minhas próprias colheres nesta sopa.




O amor tem jardim, cerca, projeto. O sexo invade tudo isso. Sexo é contra a lei. O amor depende de nosso desejo, é uma construção que criamos. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre de tesão. O sexo é um desejo de apaziguar o amor. O amor é uma espécie de gratidão posteriori pelos prazeres do sexo.




O amor vem depois, o sexo vem antes. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento.




No sexo, o pensamento atrapalha; só as fantasias ajudam. O amor sonha com uma grande redenção. O sexo só pensa em proibições: não há fantasias permitidas. O amor é um desejo de atingir a plenitude.


Sexo é o desejo de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade sempre deslizante para a frente. O sexo é um desejo de acabar com a impossibilidade. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrrário não acontece. Existe amor sem sexo, claro, mas nunca gozam juntos. Amor é propriedade. sexo é posse. Amor é a casa; sexo é invasão de domicílio. Amor é o sonho por um romântico latifúndio; já o sexo é o MST. O amor é mais narcisista, mesmo quando fala em “doação”. Sexo é mais democrático, mesmo vivendo no egoísmo. Amor e sexo são como a palavra farmakon em grego: remédio e veneno. Amor pode ser veneno ou remédio. Sexo também – tudo dependendo das posições adotadas.



Amor é um texto. Sexo é um esporte. Amor não exige a presença do “outro”; o sexo, no mínimo, precisa de uma “mãozinha”. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até mas sozinhos, na solidão e na loucura. Sexo, não – é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. Amor muitas vezes e uma masturbação. Seco, não. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora, o amor vem de nós e demora. O sexo vem dos outros e vai embora. Amor é bossa nova; sexo é carnaval.




Não somos vítimas do amor, só do sexo. “O sexo é uma selva de epiléticos” ou “O amor, se não for eterno, não era amor” (Nelson Rodrigues). O amor inventou a alma, a eternidade, a linguagem, a moral. O sexo inventou a moral também do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge. O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói – quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: “Faça amor, não faça a guerra”. Sexo quer guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas... O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas não se explica. O sexo sempre existiu – das cavernas do paraíso até as saunas relax for men. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provinciais do século XII e, depois, revitalizado pelo cinema americano da direita cristã. Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem – o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção. Sexo selvagem é uma ameaça ao bom funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controla-lo é programa-lo, como faz a indústria das sacanagens. O mercado programa nossas fantasias.




Não há saunas relax para o amor. No entanto, em todo bordel, FINGE-SE UM “AMORZINHO” PARA INICIAR. O amor está virando um “hors-d’oeuvre” para o sexo. O amor busca uma certa “grandeza”. O sexo sonha com as partes baixas. O PERIGO DO SEXO É QUE VOCÊ PODE SE APAIXONAR. O PERIGO DO AMOR É VIRAR AMIZADE. Com camisinha, há sexo seguro, MAS NÃO HÁ CAMISINHA PARA O AMOR. O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados. Sexo precisa da novidade, da surpresa. “O grande amor só se sente no ciúme” (Proust). O grande sexo sente-se como uma tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda (ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60, era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta). E por aí vamos. Sexo e amor tentam mesmo é nos afastar da morte. Ou não; sei lá... e-mails de quem souber para o autor.


(Arnaldo Jabor)



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O amor

“O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. / Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes./ A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura./ Às vezes é preciso recolher-se.” 

Lya Luft

"Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade. Puta que pariu, não é assim. Isso não existe. É um erro pensar assim. Eu sou uma mulher. Faço tudo de mulher, como mulher. Mas não  sou uma mulher que necessita de ajuda de um homem. Não necessito de proteção de homem nenhum. Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos. Isso entra também na questão literária. Não existe isso de homens com escrita vigorosa, enquanto as mulheres se perdem na doçura. Eu fico puta da vida com isso. Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem."

Lya Luft 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Deus e o resto do mundo




Porque será que nós dormimos na igreja,
Mas ficamos acordados num filme de 2 horas?
Porque será que é tão dificil falar sobre Deus,
mas tão fácil falar sobre outras coisas?
Porque será que ficamos tão intediados quando lemos uma revista Cristã,
mas achamos facil ler qualquer outra revista?
Porque será que é tão fácil ignorar uma mensagem de Deus pela internet,
mas tão fácil repassar as engraçadas?
Porque será que as igrejas estão ficando cada vez menores,
enquanto os bares e clubes crescem como nunca?
pense sobre isso....
você vai ignorar essa mensagem como todas as outras ou repassar?


80% de vocês não vão repassar isso.

O senhor disse:
"Mas qualquer que me negar diante dos homens,
eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus "



domingo, 24 de janeiro de 2010

Oportunidade


Oportunidade é uma palavra muito disputada entre as pessoas, principalmente no ambiente de trabalho.

Conforme o dicionário, oportunidade significa qualidade do que é oportuno, ensejo, ocasião favorável. Ou seja, oportunidade representa a "hora certa" para se aproveitar e tentar conseguir algo em que se almeja. É aquele elemento exterior que pode ser transformado em conseqüências vantajosas, mas não por si só, mas pela inteligência, pela existência de um ou outro elemento, pela vontade.

A vida sempre nos reserva algumas oportunidades, e muitas vezes não sabemos aproveitá-las. Às vezes aquele trabalho chato, corrido, cheio de "pepinos", com estresse, dor de cabeça e muitas noites sem dormir parece que nos é dado de presente, em uma embalagem com laço bem bonito... "Presente de grego" como é muitas vezes chamado, e normalmente é esse trabalho chato que não queremos desempanhar e por isso, não nos dedicamos completamente a ele. Mas certamente, é a partir desse trabalho que nos destacamos e, assim, conseguimos alcançar outras oportunidades.

Estamos acostumados a sempre querer o melhor, o mais fácil, o mais rápido, nos esquecendo de que o mais difícil e trabalhoso é o que, na maioria da vezes, terá maior reconhecimento. E o reconhecimento se dá com o surgimento de uma oportunidade maior ainda de nos destacarmos.

Aprendi, nesses últimos acontecimentos, que, não importa se o meu trabalho é o menos "visto", o importante é desempenhá-lo com vontade e aprender sempre, sobre todas as áreas envolvidas, estudar muito, ser curioso e tentar resolver as coisas sem "passar a bola para frente". Uma hora ou outra o reconhecimento há de vir.

Boa sorte a todos!


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Como levar uma mulher para a cama conforme a idade dela

Qual a diferença entre crianças, meninas e mulheres aos 8, 18, 28, 48, 58, 68, 78 e 88 anos de idade?






Aos 8 - Você a leva para a cama e lhe conta uma história.

Aos 18 - Você conta uma história e a leva para a cama.

Aos 28 - Você não precisa contar história nenhuma para levá-la para a cama.

Aos 48 - Ela te conta uma história e te leva para a cama.

Aos 58 - Ela te conta uma história para evitar que você a leve para a cama.

Aos 68 - Você fica na cama para evitar as histórias dela.

Aos 78 - Se você conseguir levá-la para a cama, isso sim será uma boa história!

Aos 88 - Que história? Que cama? Quem é você?


Post copiado de http://somentebobagem.blogspot.com/


Beijinhos e bom final de semana!

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Jogos Mortais - Versão Feminina


Uma mulher chegou inesperadamente em casa e encontrou seu marido na cama com outra mulher. Louca de raiva, ela pegou uma arma e arrastou o marido até a garagem.

Chegando lá, prendeu o pênis dele numa morsa em cima da bancada, apertou até ficar bem preso e retirou a alavanca da morsa para evitar que se soltasse. Depois foi ao armário de ferramentas, retirou um serrote e colocou-o na bancada, ao lado do marido.

O marido gritou:

- Querida, você não vai cortar meu pinto, vai?

E ela respondeu com ar irônico:

- Não, você é que vai. Eu só vou botar fogo na garagem!


Copiado de http://noauge4ponto0.blogspot.com




Homens queridos do meu coração: uma mulher com ódio é capaz de tudo, por isso cuidado!! 



Rotina Matinal de uma Mulher



Original de http://chongas.mtv.uol.com.br/



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Saudade


Saudade....

Saudade é um amor que vai e que deixa o sentimento pra trás... deixa a lembrança do tempo bom, dos sonhos, dos planos, do calor e da alegria de viver

Saudade machuca, dói... dá vontade de chorar, de correr para fora desse planeta, de gritar, espernear. Saudade... simplesmente saudade...

Pior que ela... só mesmo a indiferença... sentir e agir como se nenhuma história ou passado tivesse acontecido, sem se lembrar ou se importar com as marcas deixadas.

Arrependimento pelo que foi vivido? Nenhum... somente saudade!

Beijinhos!!!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O homem perfeito encontra a mulher perfeita

Era uma vez um homem perfeito que conheceu a mulher perfeita.

Namoraram e um dia se casaram. Formavam um casal perfeito.

Numa noite de Natal, ia o casal perfeito, por uma estrada deserta, quando viram alguém no acostamento pedindo ajuda. Como eram pessoas perfeitas, pararam para ajudar. Essa pessoa era nada mais nada menos que o Papai Noel, cujo trenó havia enguiçado.

Não querendo deixar milhões de crianças decepcionadas, o casal perfeito se ofereceu para ajudá-lo a distribuir os presentes. O bom velhinho entrou no carro e lá foram eles.

Infelizmente o carro em que eles estavam se envolveu em um acidente e somente um dos três ocupantes sobreviveu.

Pergunta: Quem foi o sobrevivente trágico do acidente? A mulher perfeita, o Homem perfeito ou o Papai Noel?







Resposta: a Mulher perfeita foi a única sobrevivente! Na verdade ela era a única personagem real dessa história. Todo mundo sabe que Papai Noel e Homem perfeito não existem!







Alguns sintomas de pobre - Parte II


- Entrar na loja e dizer que está dando uma "olhadinha" (vendedor adora esse tipo de cliente).

- Não pagar os 10% do garçom e ainda dizer que não é obrigatório.

- Beber Belco e Bavária e dizer que são saborosas.

- Ligar a cobrar para os amigos para que eles o retornem a ligação.

- Ir ao supermercado e comer frutas enquanto faz compras.

- Fazer capinhas de crochê para as tampas de vidro de maionese e aproveitá-las como potes no banheiro.

- Sentar no bar e a primeira coisa a fazer é olhar o preço das coisas no cardápio.

- Levar sfiha Habib´s para o Motel.

- Mascar chiclete e guardar na geladeira.

- Aproveitar o copo de requeijão para servir a visita.

- Jogar algodão na árvore de Natal para dar efeito de neve.

- Ir na boate e ficar calculando para não ultrapassar a consumação.

- Usar meias com desenho.

- Fazer mais buracos no cinto.

- Ir nos churrascos da vida, não pagar e ainda levar cerveja pra casa.

- Tirar extrato do banco todo dia.

- Fazer festa de aniversário e pedir que levem alguma coisa.

- Levar sanduíche para a praia.

- Pegar fiado.

- Fazer compras no cartão de crédito dos amigos.

- Manter enfeites de aniversário e casamento enfeitando a estante da sala.

- Pendurar roupa na janela do quarto.

- Ter cachorro chamado Serry.

- Secar roupa atrás da geladeira.




Quem souber de mais algum, inclui um comentário para eu criar um novo post.

Até mais!!

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