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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Seja um idiota






(Galera que em acompanha, o texto é para inspirá-los a ser feliz em 2010,
que está chegando em um dia.)





Idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignora o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate o seu amor como o seu melhor amigo e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho para tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

Hahahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não tem por que o que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça sobre o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida - esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor transmitindo isso o dia todo ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche.

(Arnaldo Jabor)



Crônica do Amor - Arnaldo Jabor


Ninguém ama a outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, os simpáticos e não fumantes teriam uma lista de pretendentes batendo à porta.

O amor mão é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnestismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama a outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem ou é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca. Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.  Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela odeia Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante que LSD, você adora implicar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando ele toca a sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais, escreve poemas. Você adora este cara?

Não pergunte para mim. Você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta do filme dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem o seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de shampoo e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, porque está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consultas ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

(Arnaldo Jabor)



Acho que o texto dispensa qualquer comentário. Ninguém escolhe quem vai amar. A gente ama e pronto. E é assim, e sempre vai ser.

Esta é a seção "romântica" do meu blog...

Um abraço.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Chegou o Verão!


Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose. Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.





Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção.

Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias.

Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando.

Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.

Em menos de cinqüenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra fincar o cabo do guarda-sol.

É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar!

Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo.

Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa.

A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!!

Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora.

Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo.

O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece.


Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família.

Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

Luiz Fernando Veríssimo




Realmente.... não é exatamente assim que acontece? Acho que com todas as famílias...





Exigências da Vida Moderna




Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio.

E também uma laranja pela vitamina C. Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.



Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo. Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão). Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso. Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem. O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber. Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.


Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia...

E não esqueça de escovar os dentes depois de comer. Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax. Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.

Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.

Sobram três, desde que você não pegue trânsito. As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).

E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.

Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.

Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo - e nem estou falando de sexo tântrico.

Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Na minha conta são 29 horas por dia.

A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo! Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos junto com os seus pais. Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher... na sua cama.

Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.

Agora tenho que ir. É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal... Tchau!

Viva a vida com bom humor!!!

Luiz Fernando Veríssimo

Mulheres



Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.

Para para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista?

E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?

E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que quer terminar o relacionamento?

E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião para São Paulo. Só meia hora de vôo. Ela fala para você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!

"Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça..." Se você não leva o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu, sem dúvida, estará molhado.

O sexto-sentido não faz sentido! É uma comunicação direta com Deus! Assim é muito fácil! As mulheres são mães!

E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tanta responsabilidade a um reles mortal?

E não satisfeitas em ensinar a vida, elas ensinam a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral. Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe", ...

Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado um dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que aliás, foram criados à sua imagem e semelhança).

As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?

Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens... É choro feminino. É choro de mulher...

Já viram como as mulheres conversam com os olhos? Elas conseguem pedir a outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos...

Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.

EN-FEI-TI-ÇAM!

E tem mais! No tocante às profissões porque elas se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem que estudam Exatas...

Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou como muito poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era um "continente obscuro". Que evidência maior do que esta? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim. O amos as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.

É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjo que têm ao lado.

Com todo esse amor de mãe, esposa, amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam... Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os fazem dormir nessa hora.

Luiz Fernando Veríssimo.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Evite ser traído: Para as mulheres, uma verdade! Para os homens, a realidade...

OBS.: O TEXTO É LONGO, MAS VALE A PENA LER!

Você deve estar se perguntando por que eu gastaria meu precioso tempo falando sobre isso. Entretanto, a aflição masculina diante da traição vem me chamando a atenção há tempos.

Mas o que seria uma mulher moderna?

A princípio seria aquela que se ama acima de tudo, que não perde (e nem tem) tempo com futilidades, é aquela que trabalha porque acha que o trabalho engrandece, que é independente sentimentalmente dos outros, que são corajosas, companheiras, confidentes, amantes...

É aquela que que ás vezes tem uma crise súbita de ciúmes, mas que não tem vergonha nenhuma de admitir que está errada e correr para os seus braços... É aquela que consegue, ao mesmo tempo, ser forte e meiga, desarrumada e linda... Enfim... a mulher moderna é aquela que não tem medo de nada nem de ninguém, olha a vida de frente, fala o que pensa e o que sente, doa a quem doer...

Assim, após um processo investigatório, junto a essas mulheres modernas, pude constatar o pior.

VOCÊ será (ou é?) corno, ao menos que:

- Nunca deixe uma mulher moderna insegura. Antigamente elas choravam. Hoje elas simplesmente traem, sem dó nem piedade.

- Não ache que ela tem poderes "adivinhatórios". Ela tem de saber da sua boca o quanto você gosta dela. Qualquer dúvida neste sentido poderá levar às conseqüências expostas acima.

- Não ache que é normal sair com os amigos (seja para beber, para jogar futebol) mais do que duas vezes por semana. Três vezes então, é assinar atestado de chifrudo. As mulheres modernas dificilmente andam implicando com isso, entretanto, elas estão categoricamente "cheias de amor para dar" e precisam da presença masculina, se não for a sua, meu amigo... Bem...

- Quando disser que vai ligar, ligue, senão o risco de ela ligar para aquele ex bom de cama é grandíssimo.

- Satisfaça-a sexualmente. Não finja satisfazê-la. As mulheres modernas têm um pique absurdo em relação ao sexo, e, principalmente, dos 20 aos 30 anos, elas pensam - e querem - sexo TODOS OS DIAS. Pasmem, mas é a pura verdade... Bom, nem precisa dizer que se não for com você...

- Lhe dê atenção. Mas principalmente faça com que ela perceba isso. Garanhões maus (ou bem) intencionados sempre existem, e estes, quando querem, são peritos em levar uma mulher às nuvens. Então, leve-a você. Ela é sua ou não?

- Nem pense em provocar ciumentos vãos. Como pude constatar, mulher insegura é uma máquina de colocar chifres.

- Em hipótese alguma a deixe desconfiar do fato de você estar saindo com outra. Essa mera suposição da parte delas dá ensejo a um chifre tão estrondoso que quando você acordar, meu amigo, já existirá alguém muito mais "comedor" que você... Só que o prato principal, bem... dessa vez é a sua mulher.

- Sabe aquele bonitão que você sabe que sairia com a sua mulher a qualquer hora? Bem... De repente, a recíproca pode ser verdadeira. Basta ela, por um só segundo, achar que você merece... Quando você reparar... já foi.

- Tente estar menos cansado. A mulher moderna também trabalhou o dia inteiro e, provavelmente, ainda tem fôlego para - como diziam os homens de antigamente - "dar uma", para depois, virar de lado e simplesmente dormir.

- Volte a fazer coisas do começo da relação. Se quando começaram a sair viviam se cruzando em baladas, "se pegando" em lugares inusitados, trocavam e-mails ou telefonemas picantes, a chance de ela gostar disso é muito grande, e a de sentir falta disso, então, é imensa. A mulher moderna não pode sentir falta dessas coisas. Senão... Bem amigos, aplicam-se, finalmente, o tão famoso jargão: "quem não dá assistência, abre concorrência e perde a preferência".

Deste modo, se você está ao lado de uma mulher de quem realmente gosta e tem plena consciência de que, atualmente, o mercado não está para peixe (falemos de qualidade), pense bem antes de dar alguma dessas "mancadas"... Proteja-a, ame-a, e principalmente, faça-a saber disso. Ela vai pensar milhões de vezes antes de "dar bola" para aquele bonitão que vive enchendo-a de olhares... E vai continuar, sem dúvida, olhando só para você!

Quem não se dedica se complica.

Como diz uma amiga: MULHER NÃO TRAI, MULHER SE VINGA!

Arnaldo Jabor


domingo, 15 de novembro de 2009

O Chuveiro


Já estão clonando gente. as vacas ficaram loucas, já mando e-mails com imagem e som. Tudo evolui no mundo. Tudo, até o guarda-chuva. Menos o chuveiro. Não o chuveiro em sim, mas a regulagem da temperatura. não existirá ninguém no mundo preocupado com isso?

Na nossa casa, tudo bem. A gente conhece bem a torneira da direita e a da esquerda e, quase que automaticamente, consegue que a temperatura da água fique como a gente quer.

Mas é ir tomar banho noutra casa que a coisa complica. Esquenta ou esfria.

Nos hotéis, por exemplo, o problema é internacional e cada vez pior. Pode ter zero ou cinco estrelas. É sempre uma luta.

Primeiro, que não colocam mais aquelas bolinhas vermelha ou azul para você começar as negociações. Vermelho é quente, azul é fria. Então você tem que ligar uma delas e ficar esperando que esquente. E o problema é que a gente nunca sabe quanto tempo demora para esquentar. Mas digamos que não esquente. Você fecha aquela torneira e abre a outra. E fica esperando. Mais ou menos o tempo da primeira, e nada. Chega-se à conclusão de que a quente é a outra. A essa altura, os dois braços já estão molhados. De água fria, é claro.

Vai de sete a nove minutos para você descobrir qual é a quente, depois de umas quatro tentativas. Agora começa o problema maior. Regular as duas. Você está pelado, você abre a fria (a da direita, não vá esquecer). Aí tudo fica muito frio. Você diminui uma, aumenta um pouco a outra, chega no ponto, já com as duas pernas molhadas pela água fervendo. Aí você entra, começa o banho.

De repente, a coisa começa a esquentar, esquentar e você tem que sair dali de baixo. Está pelando (do verbo pelar, tirar a pele). Olha para as duas torneiras. Qual mesmo que é a fria? Nunca mais acerta. O melhor é desligar as duas até o fim e começar toda a operação. Consegue, de novo, depois de muita luta, o corpo todo já molhado, mas fora do jato. Aí vem uma onda fria (da Argentina?) e gela tudo. Qual mesmo que é a quente?

Depois de 20 minutos, em que - aparentemente - a água está no seu ponto,você nota que o jato está vindo muito grosso, levanta o braço para rosquear lá em cima, para a coisa ficar mais aberto. Aí abre demais, passando ao largo da sua cabeça pegando, no máximo, na ponta dos dedos, se os braços abertos estiverem. Aí, já com as duas mãos, você torce a coisa para o outro lado. É quando pára tudo e começa a sair tudo pelo chuveirinho que fica serpenteando pelo box, feito uma cobra. E, inexplicavelmete, a água volta a ferver.

Nesse momento, geralmente, você está com a cabeça toda ensaboada.

A única vantagem de tomar banho em hotel é que ninguém está vendo sua inglória luta. Sim, porque o chuveiro do hotel humilha qualquer um. A impressão que eu tenho é que quando você consegue regular a coisa, um cidadão resolve tomar banho num outro apartamento e, dependendo da quente ou fria que ele use, desregula o hotel inteiro. Então temos que considerar isso também. Vou deixar de uma maneira tal, que se aquele gringo do 1086 for tomar banho só frio lá em cima, vou perder só dois graus aqui em baixo.

Dentro de pouco tempo você está fazendo contas mirabolantes, considerando os 800 quartos do hotel. Todos, claro, tentando regular o deles, e conseqüentemente, desregulando a sua vida.

São bobagens como essa que a gente fica pensando quando faz 55 anos e se pergunta: preciso esquentar ou esfriar minha vida? Mas como fazer isso sem depender das outras pessoas? Se todo mundo está regulando em cima de você e você nem sabe se o bom é pela esquerda ou pela direita?

Ou seja, estamos todos nas mãos dos encanadores. Estamos sempre entrando pelo cano.

É uma fria, não é?

Extraído do Livro: As Cem Melhores Crônicas, que na verdade são 129 - Autor - Mário Prata.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Pássaros (Momento Luis F Veríssimo)




Nunca entendi bem por que os pássaros são considerados símbolos de despreocupação, liberdade e alegria de viver.


Não conheço passarinho que não seja nervoso, q não viva com ar de pânico permanente. Aquele ar de quem está sempre esperando o pior, não é?


Ainda estou para ver um passarinho saboreando o que come, ou espichado em algum galho, barriga para cima, pegando um solzinho.


Passarinho está sempre ocupado, sempre preocupado, e sempre de passagem para outro lugar. Deve ser o bicho mais estressado que existe.


(Luis Fernando Veríssimo)




terça-feira, 27 de outubro de 2009

Bêbado: o amador e o profissional


Sim, existem os amadores e os profissionais. E são facilmente reconhecidos. Pra começar, o profissional está sempre penteado. Despenteou, esteja certo de estar diante de um bêbado amador.

O amador é chato. E não tem exceção. Ele pode até não ser chato quando sóbrio. Mas passou da terceira dose, é dose.

Não sei como, mas o bêbado profissional nem hálito etílico exala. Pelo contrário, chega a ser até perfumado. Já o bafo do amador chega antes dele. Pior que hálito de bêbado amador, só mesmo bêbada amadora. É mesmo uma desgraça.

O profissional jamais - jamais! - bate em mulher. Pelo contrário, chega com fala mansa e diz palavras leves. Geralmente leva. Apareceu falando alto, te cuida que é amador.

O profissional sempre chega em casa dirigindo sem bater. Não se lembra como, é claro, mas chega. O amador nem acha o carro. E nem se lembra, no dia seguinte. Acorda tentando reconstituir a noite para saber em que gole ficou a viatura.

O bêbado profissional que se preza, jamais fala no ouvido da gente, muito menos coloca a mão no ombro da pessoa a quem se dirige. Já o bêbado amador é especialista em ouvidos, ombros e -mais tarde - colos. Também costuma conversar segurando na sua mão, seja homem ou mulher.

Quando um deles vem chegando com aquele olhar de bebum, basta olhar os sapatos. O do profissional está limpo. Do amador está - inclusive - desamarrado.
No tempo em que eu bebida - e me considerava profissionalíssimo - um conhecido escrito e bêbado profissional foi até a minha casa. Servi um uísque para nós dois e ele me perguntou:

- Quantas garrafas você tem em casa?

Diante de tal pergunta imaginei que ele fosse mamar (Bêbado profissional odeia essa expressão) mais que uma.

- Mas esta está cheia!...

- Você é amador! - e deu uma golada e uma gargalhada. - Amador! E eu que te considerava um profissional...

Fiquei indignamente sóbrio:

- Como amador??? Como?

- Meu querido, um profissional do álcool não tem apenas uma garrafa em casa.

- Bem, eu tenho mais um guardada.

- Oito, meu filho, oito. Um bebedor tem que ter no mínimo oito garrafas em casa. E da mesma marca.

- Mas eu não bebo nem uma por dia...

Ele, se servindo de mais uma dose:



- Pois é aí que mora o perigo, a culpa! Veja essa garrafa. Você fica bebendo e vendo ela esvaziar rapidamente. De manhã ela estava cheia, de tarde já pela metade. De noite vazia. Ou seja, você fica bebendo e vendo o quanto você já bebeu! Dá culpa, você se sente um alcoólatra. Se fosse um profissional, teria uma aqui na mesinha, outra ao lado do computador, outra no criado-mudo, na cozinha, na sala de jantar, uma perto da biblioteca e até uma no quarto das crianças. Não é a garrafa que deve circular pela casa. E sim o copo. E você. Assim, meu querido amador, você não sente a garrafa se esvaziando em algumas horas, na sua cara, te dedando, te culpando. Cada uma que você pega estará sempre quase cheia. E não dá culpa. Pensando bem, você nem percebe que está de pilequinho. Me serve outra. Olha aí, já bebemos metade. Assim não é possível! Faça-me o favor!

(Mário Prata - As Cem Melhores Crônicas)





domingo, 18 de outubro de 2009

Falemos de Flores!!!


Falemos de flores.

O que é uma flor?

Será uma criação vegetal que na primavera se abre do botão de uma planta?

Não: a flor é o tipo da perfeição, é a mais sublime expressão da beleza, é um sorriso cristalizado, é um rai de luz perfumado.

Por isso há muitas espécies de flor.

Há as flores do vale - mimosas criaturas que vivem o espaço de um dia, que se alimentam de orvalho, de luz e de sombras.

Há as flores do céu - as estrelas -, que brilham à noite no seu manto azul, como olhos de uma linda pensativa.

Há as flores do ar - as borboletas -, que têm nas suas asas ligeiras as mais belas cores do prisma.

Há as flores da terra - as mulheres -, rosas perfumadas que ocultam entre as folhas os seus espinhos.

Há as flores dos lábios - os sorrisos -, lindas boninas que ao menos sopro desfolha.

Há as flores do mar - as pérolas -, filhas do oceano que saem do seio das ondas para se aninharem no seio da mulher morena.

Há as flores das poesia - os versos -, às vezes tão cheios de perfumes e de sentimentos como a mais bela flor da primavera.

Há as flores d'alma - os sentimentos -, flores que o coração serve de vaso, e as lágrimas de orvalho.

Há as flores da religião - as preces -, modestas violetas que perfumam a sombra e o retiro.

Há as flores da harmonia - os gorjeios -, que brincam nos lábios mimosos de uma boquinha sedutora.

Há as flores do espírito - os ziguezagues -, que nascem sobre o papel como rosas silvestres e sem cultura.

Há enfim uma espécie de flor que é tão rara como a tulipa negra de Alexandre Dumas, como o cravi azul de Jean-Jacques, como o crisântemo azul de George Sand.

É a flor da vida este sonho dourado, este puro ideal a que todos aspiram e de que tão poucos gozam.

Porque a flor da vida apenas vive um dia, como as rosas da manhã que a brisa da tarde desfolha.

E quando murcha, deixa dentro d'alma os seus perfumes, que são essas recordações queridas que nos sorriem ainda nos últimos tempos da existência.

Para uns, a flor da vida nasce nos lábios de uma mulher; para outros no seio de um amigo.

Feliz do caminhante que à beira do bosque por onde passa, colhe esta florzinha azul, espécie de urze cingida de uma coroa de espinhos.

Muitas vezes, depois de muitas fadigas, quando já se tem as mãos feridas dos espinhos, e que vai colher a flor, ela se desfolha

O vento soprou sobre ela, ou um verme roeu-lhes os estames.

A flor é poesia, mas o fruto é a realidade, é a única verdade da vida.

Enquanto pois os poetas vivem à busca de flores, os homens sérios e graves, os homens práticos, só tratam de colher os frutos.

Eles vêem desabrochar as flores, exalar os seus perfumes, e esperam como o hortelão que chegue o outono e com ele o tempo de colheita.

E na verdade, a flor encerra sempre o germe de um fruto, de um pomo dourado, que outrora perdeu o home, mas que hoje é sua salvação.

(José de Alencar, no livro "Ao Correr da Pena", pág. 468 a 471)




Flores! Texto escolhido para comemorar o nascimento das minhas flores, plantadas há uma semana. Estou fazendo um mini e belo jardim em minha casa. Além das flores já floridas, neste final de semana começaram a brotar as mais novas integrantes do meu jardim. Vai demorar um pouco, mas logo estarão enchendo nossos olhos de alegria ao acordar, quando abrimos a janela do quarto e nos deparamos com as criaturas mais belas que Deus já criou.



Bom final de Domingo e Boa Semana a todos!


terça-feira, 13 de outubro de 2009

O Pavoroso Exame do Toque


Estou meio sem inspiração para escrever algo de minha autoria, por isso resolvi postar um texto do Mário Prata, daquele  livro de crônicas que eu comentei no outro dia que eu comprei. O texto fala de exame de toque... aquele para detectar o câncer de próstata. Achei muito engraçado. O texto chama-se: O Dedo





Na terceira semana em que saiu aquela gotinha clara, resolvi tomar providências. Mesmo porque a minha mulher olhava meio de lado. Para a gotinha e para o local de onde saía a gotinha. Lá, no incauto cabisbaixo.

Me lembrei que a minha irmã havia se encontrado com um velho amigo de infância de Lins, o Plínio, num hotel de Salvador. E que o Plínio era hoje um importante urologista em São Paulo.Essas intimidades é melhor com gente conhecida, de confiança, pensei. Ligo para a minha irmã, pego o telefone e marco uma hora. E ele me disse que devia ser uma prostatite, também conhecida como gota matinal, que não me preocupasse, mas que tinha que fazer o toque. Toque, onde? Marcou horário para o sacrifício.

Foi quando me recordei que o Plínio era gordinho na adolescência. Ligo de novo para a minha irmã. Ela confirma, o cara está gordo. E gordo não tem dedo fino, nem mole, conclui.

Ao cumprimentar o velho amigo, fixei-me mais no dedo do que nos olhos. Uns vinte minutos para colocar as novidades em dia. Para relaxar, talvez. E eu não tirava o olho do dedo dele. Bem grosso.

Depois das preliminares, me manda tirar a roupa e ficar de quatro em cima da mesinha. Até aí tudo bem. Ele começou a comentar o encontro dele com a minha irmã em Salvador. Ele estava em lua-de-mel. Convenhamos que lua-de-mel não é um assunto muito apropriado para um momento delicadíssimo como aquele. Me explicava com quem tinha se casado enquanto colocava as luvas e a vaselina.

Pegou uma folha de papel e colocou embaixo de mim, que já estava de quatro havia uns cinco minutos.

- Para que isso, Plínio?

- É que, em alguns casos, quando a gente massageia a próstata, a pessoa pode ejacular.

Sentei.

- Vamos conversar. Você está dizendo que pode me enfiar o dedo no rabo e eu gozar?

- É normal. Mas eu estava te falando da praia do Buraquinho...

- Um momento, Plínio. Todo mundo goza?

- Meio a meio.

- Plínio, se eu gozar, amanhã Lins inteira vai saber disso. Conheço aquela cidade. Vai sujar. Já acharam que artista é meio viado... Cinqüenta por cento é uma porcentagem muito alta.

- E você acha que eu vou sair por aí dizendo que você ejaculou?

- Você, não. Mas no interior todo mundo sabe. Não se sabe como. Melhor deixar para outro dia. Perdi o clima.

- Fica de quatro aí e não enche o saco.

Fiquei. Tenso.

Ele colocou o dedo lá e continuou a falar da lua-de-mel,da praia do Buraquinho. E eu lá, compenetrado. No palavreado médico, meu pênis (que palavra mais pornográfica!) praticamente sumiu, não ejaculei e foi uma luta para o Plínio colher a tal gotinha.

Feitos os exames, o diagnóstico dele estava certíssimo. E voltamos a ser amigos. Mas sempre vestidos, de pé e de frente um para o outro.

E nunca mais falamos da praia do Buraquinho. Que aliás, é uma delícia de praia em Salvador.



Bem... o texto tem algumas palavras não muito "limpas" para o dia-a-dia. Mas mesmo assim, achei o texto engraçado. Pois todos os homens têm pavor de fazer o bendito, ou maldito exame do toque, mesmo sabendo que é necessário.

Abraços!!


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Borracharia


Tudo evolui no Brasil. Menos a borracharia. Já notaram? São exatamente iguais às borracharias da nossa infância, quando íamos lá com nossos pais. Inclusive os borracheiros parecem ser os mesmo. Parecem feitos de borracha, não envelhecem.

Há algumas décadas não devem mais nascer garotos que dizem: vou ser borracheiro quando crescer. Para cada borracharia existem dois borracheiros. Um mais velho (que é para quem você vai pagar no final do serviço) e o mais jovem (que é quem pega no duro).

Duvido que alguém já viu uma borracharia limpa. Para ser uma boa borracharia ele deve ser imunda. Não é suja, é imunda mesmo. Assim como os borracheiros. Eles não lavam as calças e as camisetas há séculos.

Não há lugar para sentar. Jamais. Você tem que ficar em pé esperando o serviço e acompanhando atentamente.

A coisa começa na porrada, literalmente. Um super martelo e o cara bate pra valer mesmo no nosso pneu para tirar a câmera de ar, e com uma alavanca, vai girando o pé com uma maestria invejável. E tira para fora aquela coisa mole, cinza, morta. E furada.

Todas as borracharias têm uma banheira, é claro. Uma banheira que um dia - imagino - foi branca. Se você quer saber a cor do burro quando foge, é aquela ali. Entre cinza e marrom. E a água onde vai ser enfiada a câmera de ar? Que cor é aquela? e onde foi que o sujeito arrumou a banheira? Comprou especialmente para aquele serviço, aquela serventia? Mas é eficiente. Logo vemos as bolhinhas de ar subindo pelo furo. O borracheiro coloca o dedo no furinho e te olha. Apenas olha. Todo mundo entende aquele olhar.

Neste momento eu pergunto: os pneus já existem há mais de cem anos. Ninguém se deu ao trabalho de inventar um outra engenhoca para descobrir onde fica o furo?

Aí ele sai pingando com nossa câmera de ar pelo chão, notadamente nos nossos sapatos. Enxuga. Coloca numa máquina de tortura, passa uma cola e junto um pedacinho de borracha. Comprime aquilo. Chega a doer. Aquilo esquenta, sai fumacinha.

É o momento de olharmos para as mulheres peladas (e já sujas) pelas paredes. Calendários dos anos 90 e até 80. Mocinhas que hoje já devem ser avós, testemunhas discretas de nossos furos.

Tem também um jornal de esportes do dia por aqui, cheio de impressões digitais. Não dá mais para ler as notícias que ficam à direita e à esquerda da página. Sentar, nem pensar. Agora ele enche de novo a câmera. Mais do que a gente imagina. A impressão é que aquilo vai estourar no nosso rosto. Mas - incrível - não estoura.

Enfia na banheira de novo. Esvazia e enche pela terceira vez. Ao se ajeitar lá dentro, a borracha dá um inesperado estouro e se acomoda. coloca o bico no lugar. Pega um aparelhinho e vê a pressão. Tudo isso muito rápido, com muita eficiência, sem cursar nenhuma faculdade. Mas você sente que o cara é competente e pós-graduado.

E aí ele pega o nosso estepe e balança a cabeça negativamente. Você entende, o estepe está mesmo pela hora da aposentadoria. Negocia ali na calçada enquanto coloca o pneu no lugar. Você acaba comprando outro estepe.

Mas só quando você chega em casa é que percebe que também está todo sujo, apesar de não sentar e nem encostar em nada.


E pensam naqueles dois que te salvaram a vida. Admiro estes homens. São meus heróis.



(Mário Prata no livro As Cem Melhores Crônicas, p. 172)





Pessoal, não é que estou sem inspiração para escrever. Comprei um livro do Mário Prata, As Cem Melhores Crônicas, e estou me deliciando com o autor (nossa, está parecendo até pornografia, mas não é não... é apenas um livro). São ótimos textos, bem no estilo que eu gosto de ler e escrever... ironizando as coisas mais simples do nosso dia-a-dia. Os textos mais legais serão postados aqui. Mas pode não ser todos os dias, porque tudo o que é demais acaba cansando.

Crônicas são textos ótimos... fáceis de ler e entender, divertidas, e nos faz ver cada lado das coisas que acontecem na nossa vida... Muito bom!

Beijos...............................


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

A Mulher de Oitenta


Vinicius de Moraes poderia cantarolar olha que coisa mais linda mais cheia de graça, é uma velhinha que vem e que passa, no doce balanço a caminho do mar. Se ainda existe uma mulher do lar, ela tem oitenta anos. Principalmente no nosso lar.

Me responda: existe alguma coisa mais bonita do que ver uma senhora de oitenta anos, aqueles cabelos brancos  (mulher honesta de oitenta anos não pinta o cabelo), caminhando pela rua de mãos dadas com o marido, bem mais trôpego do que ela? Quantas vidas existem naquelas mãos entrelaçadas? Quantos filhos, netos e bisnetos? Quanta vida, quanta história. Quanta gente aquela mulher de oitenta colocou no mundo? E agora lá vai ela, caminhando, sem pressa nenhuma, sabe lá pra onde. Ela e o homem dela. Eternos enquanto duram.

É, já não se fazem mais mulheres como as de oitenta. Perdemos a fórmula e esquecemos, quase sempre, que elas existem. Mulher de um só amor, de uma só dedicação.

As mulheres de oitenta se dividem basicamente em três categorias: as ainda casadas (como sofrem com seus maridos há algumas décadas), as viúvas (como sofreram com a morte do marido) e as com mal de Alzheimer (que não sofrem, porque não sabem mais).

O incrível é que a gente olha para uma velhinha e pensa que ela não saca mais nada. Que está apenas sentada ali na porta esperando o próprio enterro passar. Lêdo e lerdo engano. Aquela que faz aniversário, com filhos netos e bisnetos em volta. Olha ela lá, na dela, sentada na cadeira olhando o nada. Engana-se, milha filha, Ela está percebendo tudo. Ela sabe o que está rolando na festinha da bisa. Sabe quem trai quem, quem deve pra quem, quem odeia quem, dentro de seus próprios descendentes. mas ninguém dá bola pra ela.

A mulher de oitenta é a mais sábia das mulheres.

Ela já teve trinta, achando que sabia de tudo. Chegou aos quarenta: agora é que eu sei. E aí foi indo até chegar ali. Cada vez conhecendo mais o mundo e as pessoas do mundo. Quando vê o Bush dizendo besteira na televisão, ninguém lhe pergunta o que achou. Têm certeza que ela vai dizer bobagem. Mas, se ousarem a perguntar, vão ouvir uma frase curta, perfeita, exata. Quase filosófica. As mulheres de oitenta filosofam. Infelizmente ninguém as ouve.

Você deve achar que uma velhinha não pensa em sexo. Imagina! Então me diga em que idade ela parou, se sempre pensou cada vez mais, durante os vinte, trinta, quarenta, etc. Será que chegou numa idade e ela disse para ela mesma: hoje vou parar de pensar em sexo. Negativo. Pensa, e muito. Tenho uma parente que morreu aos 87 anos se masturbando. Feliz e sem a menor culpa, apesar de ir todo domingo à missa. Sábia, descobriu que o prazer não pode ser pecado. Deve estar no céu, a danadinha. Cantando os anjos com ou sem trombetas.

Quanto àquelas que tem o mal de Alzheimer (antigamente eram apenas caducas, pioraram o nome e não arrumaram o remédio) não sabem o que está acontecendo no mundo. Sua mente não guarda nada do presente (o que tem lá suas vantagens), mas se lembram do passado como se fossem ontem. Pergunte sobre o baile de debutantes, como foi que ela conheceu o marido dela, daquela famosa quadrilha, das fofocas familiares dos anos 30. Um diário do passado vai invadir sua cabeça e seus olhos vão ficar brilhando.


Ah, as mulheres de oitenta com seus cabelos brancos, seus óculos redondos e sua caixinha de remédios. Sábias, filósofas, boas. Gente finíssima.

(Mário Prata no livro Cem Melhores Crônicas, p. 72)



Ainda vamos ficar assim.... é só uma questão de tempo!! E muito tempo!!




Um grande beijo para minha Oma Jenny, que tem seus oitenta e poucos anos... e outro para minha Ominha que deve estar lá no céu hoje, de mãos dadas com o grande amor da vida dela, olhando para nós.








sábado, 5 de setembro de 2009

Espaço Mário Quintana








...Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.
Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer ...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom...
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos
todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas
as nossas loucuras...
Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.
Mário Quintana


Felicidade RealistaA princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá d entro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.Mário Quintana

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sessão William Shakespeare


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...

Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...

Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...

Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável...

Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:

Acho que você está errado, mas estou do seu lado...

Ou alguém que apenas diga:

Sou seu amor! E estou Aqui!

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”



(William Shakespeare)

quinta-feira, 20 de agosto de 2009


DAR NÃO É FAZER AMOR

Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
Mas dar é bom pra cacete.
Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria...
Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais. Dar é bom.
Melhor do que dar, só dar por dar.
Dar sem querer casar....
Sem querer apresentar pra mãe...
Sem querer dar o primeiro abraço no Ano Novo.
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral...
Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã, ou depois de amanhã.
Tem pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.
Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem
esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora.
Durante um mês.
Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar é dar demais e ficar vazio.
Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter alguém pra querer casar, para apresentar pra mãe, pra dar
o primeiro abraço de Ano Novo e pra falar:
"Que que cê acha amor?".
É não ter companhia garantida para viajar.
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia.
Dar é não querer dormir encaixadinho...
É não ter alguém para ouvir seus dengos...
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.
Esse sim é o maior tesão.
Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar

Experimente ser amado...

Luís Fernando Veríssimo

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