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quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ciclo dos Dias - Sexta-feira

Ah! Enfim é sexta-feira... Depois de uma semana exaustiva, um dia com uma atmosfera melhor. O final de semana está ali, já no horizonte. São os últimos passos da longa caminhada que leva ao descanso e aos momentos nos quais se "aproveita a vida".

Mas espere um momento! Antes será necessário terminar o dia.



E, então, é a mesma rotina. Arrumar-se rápido, mal tomar o café e sair para o trabalho. Vai de ônibus, trem ou metrô? Sexta-feira está mais cheio. De carro? Tem mais trânsito, mais buzina e mais confusão. De onde sai tanta gente? Como um dia de calor, com todos os bichos fora da toca. Ao fim, chega-se ao trabalho. E isso ainda é o começo.

Mesmo assim, parece que todo mundo acordou de mau humor. Na sexta a regra é evitar os problemas maiores. Que esperem até segunda. Não devem ser marcadas reuniões importantes, assuntos melindrosos devem ser evitados, pautas complexas estão absolutamente proibidas e as grandes decisões não podem ser tomadas em uma sexta-feira. É dia de esperar passar. No máximo, cumprir o que já estava programado.

Então, se rotina de sexta-feira é igual à dos outros dias, talvez um pouquinho pior, por que está todo mundo mais feliz, leve e sereno? É a prova de que no embate psíquico entre razão e espírito, é o último quem governa o ser humano. Basta a expectativa de dois dias de descanso para os humores se elevarem. Não foi a rotina que mudou. A perspectiva se elevou. Claro, é uma tolice nossa isso de insistir em ver as coisas melhores por qualquer bobagem. Mas podemos ser tolos. Pelo menos um dia na semana.


Postado por Carlos Goetternauer em www.estadocronico.com.br


Ciclo dos Dias - Quinta-feira

Se os advérbios que definem a quarta-feira são o JÁ ou o AINDA,  para a quinta-feira só resta uma advérbio, o QUASE. A semana está quase no fim, o dia é quase bom e quase dá para esperar algo mais proveitoso. Seria ótimo, se quase servisse para alguma coisa, que não fosse aumentar a frustração.

Os mais atentos já devem ter percebido que alguns dias são familiares próximos de outros. Quinta-feira, por exemplo, é a irmã mais nova da terça. Mas não se engane. O ar de jovialidade da quinta não é suficiente para manter seu disfarce. A bem verdade, quinta começa como um dia bem cansativo. A semana já se acumulou em suas costas e ainda não está  em seu fim. Da mesma maneira que sua irmã mais velha, quinta traz em sua toda a sua carga de cotidiano. Outra vez, é dia do curso de inglês, das reuniões protocolares e da fila do banco.

Mas há algo na quinta que lhe torna em uma quase terça e não uma terça completa. Por baixo da mesmice dos dias úteis, o final de semana já começa a jogar sutis fios de esperança. Talvez seja do tipo que passa na locadora e aproveita a promoção leve 10 e pague 5. Pode ser também que se divirta em um happy-hour antecipado ou em uma saída na noite, que reza a lenda, é a melhor da semana.

Independente de suas opções, na noite de uma quinta-feira restará sempre um consolo, falta pouco para o fim de semana. Pode ser uma falsa esperança. Mas é melhor que esperança nenhuma.



Postado por Carlos Goetternauer em www.estadocronico.com.br


terça-feira, 20 de julho de 2010

Ciclo dos dias - Quarta-feira

Todos devem conhecer a história sobre o copo pela metade, que pode ser visto como meio cheio ou meio vazio, conforme a percepção otimista ou negativa do observador. Aliás, conforme o conteúdo do copo também.

Pois bem. Posicionada exatamente no meio da semana útil, a quarta-feira é um copo meio cheio. Muito pode ser dito sobre a pessoa, conforme é sua abordagem do dia. Há aqueles que para quem já é quarta-feira. No entanto, a grande maioria pensa que ainda é quarta-feira e a semana vai demorar muito para acabar.

Por isso mesmo, quarta-feira é um dia bem sincero. Você pode encontrar um sujeito mal humorado em uma segunda ou bem humorado na sexta. Conheça-o na quarta-feira para saber seu verdadeiro caráter. O realismo do comportamento humanos nas quartas é o que você terá das pessoas depois de um longo período de convivência. Casamentos longos tende a se tornar grades quartas-feiras. Para o bem ou para o mal.

Não é a toa, portanto, que o carnaval desemboque em uma quarta-feira. No fim de toda fantasia, só é possível encarar o mundo com o realismo da quarta.

Talvez esteja aí um dos segredos da existência harmoniosa. Ser completamente feliz ou triste é inevitável para qualquer humano. As circunstâncias sempre nos arrastam para eventuais dias bons ou ruins. Assim o máximo que podemos almejar na vida é sermos felizes como somos em uma quarta-feira.



Postado por Carlos Goetternauer em www.estadocronico.com.br

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Ciclo dos Dias - Terça-feira

Sabe o que a descoberta do Brasil,  o primeiro passo do homem na lua, as mortes de Hitler, João Paulo II, John Kennedy ou John Lenon tem em comum? Nada disso aconteceu em uma terça-feira.

De fato, de todos os dias da semana, terça é o mais sem personalidade. Imaginou que, de todo fato histórico importante, na aminência de acontecer, verifica se o dia seguinte é uma terça-feira. Daí toma uma escolha entre duas opções. Ou acontece logo, na segunda, ou fica aguardando a terça-feira passar para desabrochar na quarta-feira.

A verdade é que, na terça, a humanidade está ocupada com seus afazeres cotidianos, sem qualquer luz no horizonte. Todos caminhando no piloto automático. É dia de cuidar do varejo da vida. O curso de inglês, a aula de natação, fazer compras de pão e leite. Nunca as compras do mês. Talvez sobre tempo para a novela. Se não sobrar, o capítulo exibido será totalmente irrelevante e não fará falta.

Você provavelmente se lembra de vários domingos especiais, inúmeras noites de sábado lendárias e até desagradáveis segundas. Mas, faça um esforço e tente lembrar de alguma coisa importante que aconteceu na sua vida em um terça-feira. Talvez venha uma ou outra data importante. Não veio nada? Tente lembrar da última terça-feira! Provavelmente, nada. Enfim, coisas memoráveis não acontecem na terça.

Terça-feira é um dia idiota. E quem falou não fui eu, foi John Lenon, em I am the Walrus. Por ironia, ou não, o cantor morreu em uma segunda-feira, no final da noite. Havia uma ansiedade para não aguardar o início da terça.


Postado por Carlos Goettenauer em www.estadocronico.com.br


domingo, 18 de julho de 2010

Ciclo dos dias - Segunda Feira

Todo mundo tem, em seu círculo de relacionamento, aquele sujeito chato, com que é obrigado a conviver por obrigação. Segunda-feira é assim, aquele dia antipático, de olheiras e mau-hálito, que você precisa encarar pelo menos uma vez por semana, para continuar vivendo bem os outros dias.




Para a maioria, a segunda-feira é tão chato que azeda até o dia anterior. Domingo à noite, tocam os acordes daquela fatídica música do Fantástico e o sujeito se coloca deprimido, com a mão na cara a enrugar o semblante. Daí para frente qualquer coisa que se faça é baboseira à espera do dia seguinte.

Você pode falar que nem todo mundo precisa assistir o Fantástico. Verdade. Mas ninguém escapa da segunda-feira, por mais criativo que seja.

Particularmente, eu desconfio de quem fica de bom humor em plena segunda-feira. Principalmente de manhã cedo. O mundo acordando arrastado e o sujeito com um sorriso no lábio, todo feliz que acabou o final de semana? Mentira, deve ser algum psicopata, com um plano assassino em mente. Na melhor das hipóteses um lunático do bem, que ainda não caiu na real. Dê uns tapas nele. Grite: "Acorda! É segunda-feira!" Se nem assim ele reagir, é caso de internação.

Outra hipótese que tenho para os "felizes na segunda" é esnobe do sujeito. Ele quer fazer você se sentir mal. Abre aquele sorriso Colgate, só para mostrar o quanto sua vida é chata, sua semana é chata, seu universo é chato e tudo dele é legal. Mas por dentro, tenho certeza de que aquele sujeito está se roendo, para sustentar tanta aparência de felicidade.

Em verdade, a maneira como a pessoa encara a segunda-feira diz muito sobre ele mesmo. Quanto mais chato parece ser o início da semana, mais interessante é o final de semana. A imprestabilidade da segunda é, no fim,  a demonstração de que empolgação sete dias por semana e impossível. Precisamos de uns dias para reclamar da vida. Assim, adorar a segunda-feira seria considerar todos os dias iguais. Todos chatos.


Postado por Carlos Goettenauer em www.estadocronico.com.br




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